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Coleção Judaísmo
O Que é a Bíblia - 2ª parte
EGITO

A. MENES

Geograficamente, a Palestina é situada muito mais próximo do Egito que da Mesopotâmia, e não há dúvida de que as suas relações econômicas também eram mais intensas com o país do Nilo do que com as regiões do Tigre e Eufrates. Apesar disso, o que menos se sente na Bíblia é a influência espiritual do Egito. A antiga terra civilizada do Nilo, que já possuía atrás de si uma história de três mil anos, quando Israel ensaiara os primeiros passos, era geralmente mais retraída e revelava menos ambição para expansão política e espiritual dos que os universais impérios mesopotâmicos. Não obstante, era o Egito uma potência mundial com amplos interesses políticos e econômicos no mundo daquela época, e muitas vezes promovia guerras para conquistar a Palestina, que sempre fora importante ponto de contacto internacional. Durante os séculos 15-13 A.C., eram os egípcios quem dominavam a Palestina e, como se verifica pelas tradições bíblicas, tribos israelitas habitavam então as zonas limítrofes do Egito. Nas fontes egípcias não se encontrou até o presente nenhuma referência que confirmasse as narrativas da Bíblia sobre a permanência e êxodo dos judeus daquele país. Contudo, a maioria dos pesquisadores julga haver fundo de verdade nessas narrativas, e certa prova disso também vêem no número relativamente grande de nomes e expressões egípcias, que se encontram nos respectivos capítulos do Pentateuco. Até nomes judaicos tais como Moisés e Pinhas, são de origem egípcia. O nome "Israel" acha-se nas fontes egípcias, pela primeira e única vez na denominada Pedra-Mernepta - monumento triunfal do rei egípcio Mernaptac (pelos 1125-1215 A.C.). Israel é ali citado juntamente com Asquelon, Guezar e Yenoam. Pelo que parece, Israel então dominava uma pequena parte da Palestina. Trezentos anos depois o monarca egípcio Sisaque invadiria Israel e cobraria tributo de Roboão de Judá. Essa vitória é perpetuada numa gravaçao em alto-relevo, que se acha na parede norte do afamado templo de Carnaque.

Historicamente muito valiosos, são os cadastros urbanos da Palestina e Síria, os quais se acharam em maior número, entre os materiais egípcios na célebre parede de Tutmasis (pelos 1550 A.C.).

Dos textos literários - que no Egito não eram escritos em tábuas de argila senão em papiro - merecem especial menção os provérbios do sábio Amanemope, cujo texto achado data de 1000 A.C. Encontra-se ali considerável número de paralelos aos Provérbios de Salomão. Parte dos provérbios da coleção egípcia repete-se literalmente nos capítulos 22-23 dos Provérbios da Bíblia. Há quem considere, por esse motivo, que o autor judaico tivesse à sua frente o texto egípcio.

Em geral porém, era a cultura egípcia mal vista em Israel, e os círculos proféticos combatiam com veemência as tendências pró-egípcias e, a par disso, as influências espirituais daquele país - "maassei mitzraim".

É isso provavelmente uma das razões por que na literatura bíblica tão pouco se sente a influência egípcia.

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  Marcelo Ghelman