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Coleção Judaísmo
O Que é a Bíblia - 2ª parte
INTRODUçãO AO ESTUDO DA ARQUEOLOGIA BíBLICA

(Fontes não-Judaicas)

A. MENES

Do mundo civilizado no antigo Oriente, exceto a Bíblia, não ficou conservado nenhum monumento literário. A queda dos antigos impérios da Babilônia, Assíria, Egito e Pérsia, levou ao desaparecimento dos velhos povos orientais, excluindo os judeus.

Durante quase dois mil anos, eram os livros bíblicos e as obras dos escritores greco-romanos, a única fonte de informação sobre o lendário mundo oriental antigo. Somente as pesquisas arqueológicas dos últimos cem anos chegaram a escavar as soterradas ruínas das antigas regiões civilizadas perto do Eufrates, Tigre e Nilo, e a despertar para a vida as silhuetas de uma época culta de aproximadamente quatro mil anos. A pá dos investigadores descobriu para nós não só cidades e palácios antigos, como também a vida espiritual daqueles povos, onde ficava o berço da nossa cultura contemporânea; as suas criações literárias e artísticas e a sua concepção religiosa do mundo. Graças a isso, a imagem que temos hoje da vida do antigo Oriente é inteiramente outra, e o nosso horizonte histórico ampliou-se grandemente, no tempo e no espaço.

Também a pesquisa histórico-israelita muito aproveitou com as fontes recentemente abertas, e só agora vem surgindo diante da nossa vista, o cenário cultural-histórico em que se desenrolara a vida judaica dos tempos antigos.

As relações econômicas, políticas e espirituais entre Israel e os povos circunvizinhos já se percebem muitas vezes na literatura bíblica, onde encontramos freqüentemente os nomes da Babilônia, Assíria, Pérsia e outros. Mas os materiais arqueológicos, recentemente descobertos, habilitam-nos a apurar com mais precisão a natureza dessas relações, e demonstram-nos as influências dos grandes centros civilizados da Ásia Menor e do Egito sobre a cultura material e espiritual da Síria e da Palestina. Outrossim oferecem-nos os materiais arqueológicos a possibilidade de aquilatar mais ou menos objetivamente a originalidade e o caráter exclusivo do desenvolvimento espiritual e social-político de Israel.

É preciso, no entanto, ter em mente que o nosso material está longe ainda de ser completo, e que apenas dispomos de fragmentos do patrimônio cultural relativamente rico do mundo antigo. Isto, aliás, também se aplica a Israel, onde a Bíblia freqüentemente só fornece notícias isoladas e por vezes apenas alusões sobre acontecimentos e fenômenos de real importância na vida judaica.

De um modo geral podemos, entretanto, afirmar, baseados nos materiais existentes, que: no que diz respeito a civilização material, eram os israelitas, na sua maior parte, discípulos dos seus mais velhos e adiantados vizinhos; na vida espiritual, porém, revelaram excepcional independência e uma originalidade criadora.

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  Marcelo Ghelman