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Coleção Judaísmo
Breve História da Literatura Judaica
NA EUROPA CENTRAL E ORIENTAL

ISAÍAS RAFFALOVITCH

A Renscença já encontrou na Itália uma grande atividade literária entre os judeus que, aliás, não viviam muito mal sob o domínio dos papas. O primeiro léxico completo sobre o Talmud foi escrito por Natan, de Roma. Entre os estudiosos italianos eram proeminentes: Emannuele de Roma, amigo pessoal de Dante, o qual publicou uma coleção de poesias no estilo da Divina Comédia; Calônimus, que traduziu Galeno, Averroes, Aristóteles e outros; e Iudá Romano, o afamado estudioso e filósofo judeu. Os três estiveram a serviço do rei de Nápoles.

Obadiá, famoso comentador, e Elias Levita, gramático de nomeada, foram os mais importantes dos professores que ensinavam o hebraico a cardeais e outros cristãos estudiosos. Elias del Medigo e Iudá Messer Leon foram ardorosos adeptos da nova doutrina da Renascença. Josef Hacohen escreveu uma História resumida dos sofrimentos dos judeus durante a Idade Média, sob o nome de Vale de Lágrimas. Azariá dei Rossifoi um dos precursores da Alta Crítica Bíblica. Luzzatto escreveu dramas em hebraico e Leo Hebraeus ganhou fama com os seus Dialoghi di Amore, enquanto seu pai, Don Isac Abarbanel, o grande estadista que esteve a serviço de Fernando e Isabel da Espanha, se imortalizou com s seu comentário da Bíblia e com numerosas obras filosóficas. A literatura religiosa dos judeus, sob o ponto de vista da vida prática, culminou na publicação em 1565, da obra intitulada Shulhan-Aruch, de Josef Caro, que era considerada como o código de autoridade da lei judaica por todos os judeus religiosos.

A Alemanha e a Polônia foram durante séculos a sede dos estudos talmúdicos, de onde emanaram inúmeros comentários e super-comentários, embora cumpra admitir que eles não contribuissem muito à cultura geral do mundo. Dois nomes de proeminentes judeus sobressaem no século XVII: Manassé ben Israel, que conseguiu fossem os judeus admitidos de novo na Inglaterra, na época de Cromwell. Foi um escritor pródigo em trabalhos e divulgou os estudos hebraicos entre os grandes pensadores da sua época. E Benedito (Baruch) Spinoza, que reconquistou para os judeus o direito à voz na filosofia mundial. Spinoza, que hauriu sua nutrição espiritual do Talmud e das obras filosóficas dos judeus, construiu a sua própria estrada. Filho do judaísmo e do cartesianismo, Spinoza ganhou um lugar de destaque entre os grandes mestres da humanidade.

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  Marcelo Ghelman