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Coleção Judaísmo
Breve História da Literatura Judaica
NA FRANçA E NA ALEMANHA

ISAÍAS RAFFALOVITCH

Os judeus na França e na Alemanha tiveram também o seu quinhão no desenvolvimento da literatura. O primeiro grande Rabi no Ocidente, ainda lembrado em nossos dias, foi Natan ben Isaac, que da Babilônia veio para a França, onde estabeleceu uma grande escola.

Entretanto, o verdadeiro fundador dos estudos judaicos na França e na Alemanha foi Guershom, cognominado A Luz do Cativeiro. A escola por ele fundada em Magúncia tornou-se um importante centro de estudos talmúdicos para muitas gerações. Foi ele quem promulgou o decreto proibindo a poligamia entre os judeus, e esse decreto tornou-se desde aquele tempo uma lei inviolável entre os judeus da Europa. Mas a fama de Guershom foi obumbrada por Rashi de Troyes, de Champagne, que nasceu em 1040 e faleceu em 1105, e que ainda atualmente é o mais popular dos autores pós-bíblicos entre os judeus estudiosos. Escreveu um comentário que abrange toda a Bíblia e todo o Talmud, o qual não somente é uma obra prima, como também é rigorosamente indispensável a todo estudante. A tradução da Bíblia feita por Lutero é amplamente baseada no comentário de Rashi. Graças à fama de Rashi, a França tomou a dianteira nos estudos talmúdicos, e esta tarefa ficou a cargo dos genros e dos netos de Rashi, durante muitas gerações.

Aqui deve ser mencionada a obra da difusão das ciências, por meio de traduções, que na Idade Média era trabalho, principalmente - se não exclusivamente - dos judeus. Steinschneider preencheu 1100 páginas com a enumeração das traduções feitas pelos judeus na Idade Média. É através dos judeus que o Ocidente travou conhecimento com Ptolomeu, Euclides, Arquimedes e muitos outros. Roger Bacon, no século XIII, faz a observação seguinte: "Michael Scott reivindicava o mérito de numerosas traduções. Mas é certo que os judeus trabalharam nisso mais do que ele. E assim quanto aos outros".

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  Marcelo Ghelman