As Seitas Principais do Judaísmo

ASHQUENAZIM E SEFARADIM



Concluindo, diremos algumas palavras sobre estes dois setores que formam o total do conglomerado judeu do mundo: ashquenazim e sefaradim. Não o faremos analisando a estrutura destes dois setores como grupos irreconciliáveis, tal como fizemos com algumas seitas, das quais tratamos anteriormente. Não excluimos a possibilidade de que em futuro próximo haja um franco entendimento entre eles, que afaste todo o germem da divisão. Consideramos como muito provável, e nossa esperança marca esta direção, que ambos os setores se unam e funcionem num mesmo corpo. Nosso propósito é unicamente responder à nossa juventude, que a todo momento nos pergunta: "Que significam os termos ashquenazi e sefaradi? Quando começou a cisão? Por quê razões começou? Como poderia chegar-se a uma junção entre os dois grupos? etc... etc...". É pois, para dissipar as inquietudes de nossa juventude que tratamos deste tema:

1. - Ashquenazi: deriva do termo bíblico "ashquenaz" (Gênesis, X 3), termo aplicado à Alemanha na Idade Média; é pois um adjetivo gentílico que se traduz por "alemão", seu plural hebraico é ashquenazim ou alemães, título dado ao setor representativo dos judeus da Alemanha, setor que na Idade Média estava representado pelos rabinos deste país.

2. - Sefaradi: deriva do termo bíblico "sefarad" (Obadia 1, 20), identificado como Espanha, o que prova que os profetas do exílio já tinham conhecimento de que um grande contingente de judeus expatriados por motivo da queda de Jerusalém havia se estabelecido na Espanha. O plural de sefaradi ou espanhol é sefaradim (espanhóis). Depois da expulsão da Espanha e Portugal, estes sefaradim dispersaram-se pela Turquia, Holanda, Itália, norte da África, etc.

Até a Idade Média, não parece ter-se feito, em parte alguma, menção de ashquenazim e sefaradim. Neste período da história o pensamento judaico viu-se dividido em dois campos: de um lado, o rabinato do sul da França e Alemanha com Rashi, os tossafistas, Rabenu Guershon, Meier de Rotenburg, etc., que se consagraram unicamente à exegese da Bíblia, da Mishná e do Talmud; de outro lado, o rabinato da Espanha que com a exegese dedicou-se a cultivar a filosofia, a poesia, a gramática, etc.

Eram como dois corpos distintos formados sob condições de vida diametralmente opostas: o primeiro vivia perseguido e sob o feudalismo que apenas o tolerava, vivia sob o terror de expulsões intermitentes que paulatinamente transplantaram esse setor do judaísmo para Prússia, Polônia, Rumania, Galizia, etc. Foi sob a influência rígida destes países que se forjou o pensamento escolástico e dogmático de suas produções e suas obras. O segundo grupo vivia na Espanha em ambientes e condições extremamente favoráveis que lhe permitiam desempenhar um papel destacado em todas as atividades culturais.

De modo que, para diferenciar os que pensavam, escreviam e trabalhavam sob a influência do primeiro setor, chamou-se-lhes ashquenazim e aos do segundo setor sefaradim. Mais tarde, tanto um como o outro nome foram aplicados a todos os judeus dos dois setores. Posteriormente estas distâncias no pensamento se ampliaram até chegar a diferenciar também algumas partes do mesmo ritual. Por esta razão formaram-se dois ritos: Minhag Ashquenaz e Minhag Sefarad, que foram definitivamente instituídos, o primeiro pelos rabinos Simhá de Vitri e Moisés Iserles e o segundo por Rabi Amram Gaón e Rabi José Caro, respectivamente.


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Última alteração: 30 de julho de 1998
Marcelo Ghelman

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