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Coleção Judaísmo
O Que é um Judeu
FESTAS E JEJUNS

MORRIS KERTZER

Os dias consagrados do ano judaico são, em grande parte, uma questão de atmosfera-ambiente - um sentimento criado e até mesmo inventado para estabelecer um estado de espírito que empreste a cada dia festivo ou solene o seu caráter específico.

De fato, cada dia santo representou uma estação, mais do que um dia particular ou um conjunto de dias. Péssach principia, em certo sentido, no dia seguinte ao Purim - um mês antes da festa propriamente dita. É esta a estação da purificação da primavera, mas que representa mais do que o adeus anual ao inverno. A mãe, ocupada com suas tarefas domésticas, bem sabe que “antes de darmos por isso, o Péssach terá chegado”. Há um sentimento de expectativa que é transmitido a toda a família e cresce durante o mês inteiro.

Observe-se que os dias santos judaicos são mais do que meras comemorações. Constituem outras tantas lições sobre os mais importantes ideais judaicos: o agradecimento a Deus, a liberdade, o estudo e a sabedoria, o sacrifício, o arrependimento. Os dias santos põe em evidência tais valores e dão-lhes substância, especialmente para os jovens.

É sempre difícil fazer aceitar valores abstratos. O amor ao estudo é transmitido à criança mais claramente por meio do aparato da procissão da Torá, na festa de Simhat-Torá, do que seria possível numa lição em aula, porquanto desta forma ela aprende, ainda que em tenra idade, que os ensinamentos da Bíblia são sagrados para a sua família e o grupo dos que a cercam, e constituem preciosos objetos de amor.

O Jejum tem três propósitos distintos na fé judaica: auto-renúncia, luto e súplica.

Além do Iom-Quipur, diversos jejuns menores são observados pelos ortodoxos, o mais importante dos quais é o Dia das Lamentações, Tisha B'ab, em agosto, que comemora a destruição de ambos os Templos de Jerusalém. O período de jejum é geralmente de vinte e quatro horas, desde o pôr do sol de um dia até o do dia seguinte.

O jejum do Dia da Expiação é símbolo da aptidão do homem para vencer seus apetites físicos, numa demonstração feita a Deus de que ele é capaz de renegar o desejo natural de alimentos e bebidas e que também tentará dominar todos os seus anelos egoístas.

Como sinal de luto, o jejum exprime tristeza coletiva ou pesar individual. O jejum da Lamentação relembra aos judeus a destruição da antiga pátria. O judeu ortodoxo também se abstém de todo alimento e bebida no aniversário da morte de um dos pais.

Embora o ascetismo seja em geral mal visto pelo Judaísmo, os judeus muito piedosos costumam jejuar em numerosas ocasiões através do ano inteiro, particularmente às segundas e quintas-feiras, quando preces especiais de penitência são recitadas.

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  Marcelo Ghelman